Um estudo descobriu que transplantes de medula óssea podem restaurar danos em células nervosas em camundongos com ataxia de Friedreich (AF), formando novas células nervosas e melhorando o movimento.
A AF é um distúrbio genético causado por uma mutação no gene FXN responsável pela frataxina. A frataxina é uma proteína que permite que as mitocôndrias nas células funcionem adequadamente. Sem a frataxina, a produção de energia nas células fica comprometida, e o ferro não ligado no corpo, como resultado do mau funcionamento da frataxina, causa danos celulares.
Isso frequentemente leva à incapacidade neurológica nos pacientes, resultando em perda de coordenação nos membros, comprometimento da visão, perda auditiva e muitos outros sintomas comuns. Mas, apesar de uma compreensão crescente da AF e suas causas, ainda não há tratamento disponível para reparar o tecido nervoso danificado.
Transplantes podem levar a melhorias notáveis
No entanto, pesquisas estão descobrindo que as células-tronco da medula óssea podem ser capazes de migrar e se integrar ao sistema nervoso e criar novas células nervosas e gliais. De acordo com os pesquisadores, transplantes de doadores saudáveis poderiam representar uma melhoria notável para o tratamento e para a desaceleração da progressão em doenças como a AF.
Usando um modelo de camundongo da AF, cientistas investigaram recentemente os transplantes de medula óssea como uma forma de reparar células que carregam um gene FXN normal. Eles marcaram as células com uma luz fluorescente e monitoraram o progresso da mobilidade dos camundongos ao longo de seis meses. Os camundongos foram então sacrificados para avaliar as proteínas e as alterações em seus sistemas nervosos.
Mais trabalho deve ser feito
O movimento dos camundongos ao longo dos seis meses aumentou drasticamente e levou a níveis mais altos de frataxina. A doença se manifestou em uma taxa muito menor, e as células-tronco foram capazes de se integrar a áreas de lesão e criar novas células nervosas maduras.
O SCF e o G-CSF, ambas proteínas que podem auxiliar na terapia com células-tronco, demonstraram aumentar o número de células derivadas da medula óssea no sangue, bem como levar a melhorias adicionais no movimento e a menos inflamação no cérebro e na medula espinhal. No entanto, os pesquisadores admitem que mais trabalho deve ser feito para determinar o mecanismo pelo qual o G-CSF e o SCF geram tais benefícios.
Embora não seja uma cura, este estudo oferece esperança ao mostrar uma oportunidade para tratamento neurorregenerativo em pacientes com AF e doenças neurodegenerativas semelhantes.