Resumo de investigação

Eficácia e segurança de células mononucleares alogénicas do sangue do cordão umbilical em crianças com autismo e desregulação imunitária

Publicado em
Stem Cell Research & Therapy
Autores do estudo
Ziyan Zhang, Guanglei Wang, Fang Han, Honghui Zhou, Yan Liang, Li Zhang, Ping Pang, Xinyu Cao, Peili Hu, Xinyun Yao, Chunhua Sun, Jing Wang, Xiuyu Shi, Linyan Hu, and Guang Yang.
Data do estudo
Doenças
Autismo

Principais pontos e resultados:

Entre os estudos publicados sobre terapia celular no autismo, este ensaio tem até hoje o desenho mais rigoroso. Foi aleatorizado, em dupla ocultação e controlado por placebo. Quase todos os outros ensaios nesta área são abertos: os pais e os avaliadores sabem quem recebeu o tratamento, e as escalas de avaliação do comportamento são sensíveis às expectativas dos pais. Por isso este ensaio tem mais peso do que a sua dimensão faria supor.

A inclusão limitou-se a crianças com um perfil imunitário definido, e o resultado tem de ser lido tendo em conta essa restrição.

Objetivo:

Testar se quatro perfusões intravenosas de células mononucleares alogénicas do sangue do cordão umbilical (UCB-MNC) melhoram os sintomas, em comparação com um placebo de soro fisiológico, em crianças com autismo que apresentam também desregulação imunitária periférica confirmada laboratorialmente.

Métodos:

O estudo foi um ensaio prospetivo, unicêntrico, aleatorizado, em dupla ocultação e controlado por placebo, realizado no First Medical Center do Hospital Geral do Exército Popular de Libertação da China, em Pequim. Foi registado como ChiCTR2400082762.

População: Foram triadas 55 crianças, 36 foram aleatorizadas e 34 concluíram o estudo. Para serem elegíveis, as crianças tinham de ter entre 3 e 8 anos, cumprir os critérios do DSM-5 para autismo e apresentar pelo menos um dos marcadores IL-1, IL-2, IL-6, IL-8 ou TNF-α acima de 1,5 vezes o limite superior do normal. Foram excluídas as crianças cujo autismo era atribuível a epilepsia, doença cerebrovascular ou traumatismo cranioencefálico, ou que tinham tumores, imunodeficiência, infeção ativa ou antecedentes de alergia grave a produtos sanguíneos. Das dezasseis crianças que não passaram a triagem, três foram recusadas por não atingirem o limiar de desregulação imunitária.

Os investigadores escolheram este subgrupo de propósito, porque o mecanismo proposto é a imunomodulação. O resultado aplica-se por isso a crianças com um perfil inflamatório e não pode ser alargado ao autismo em geral.

Intervenção: As UCB-MNC vieram do banco de células estaminais hematopoéticas do sangue do cordão da província de Shandong. Provinham de vários dadores, foram produzidas segundo as normas GMP e só eram libertadas com viabilidade ≥90%, negativas para bactérias, fungos, micoplasma e endotoxinas, e com CD34+ ≥0,05%. Cada criança recebeu 3 × 10⁸ células por via intravenosa, uma vez por semana durante quatro semanas. O grupo placebo recebeu um volume idêntico de soro fisiológico. As perfusões começavam a 20 a 30 gotas por minuto durante dez minutos e, se não houvesse reação, aumentavam para 60 a 70 gotas por minuto, terminando em meia hora, seguidas de duas horas de observação. Não foi dada medicação profilática, para não mascarar eventuais reações à perfusão. Os dois grupos mantiveram durante todo o estudo a intervenção comportamental e a reabilitação que já faziam.

Para garantir a ocultação, os códigos de aleatorização foram gerados em SPSS por um estatístico independente, de fora da equipa do estudo. O investigador principal e o fornecedor guardavam separadamente duas cópias seladas da lista, e os sacos de perfusão estavam cobertos por mangas opacas, para que não se distinguisse o soro das células.

O critério de avaliação principal foi a pontuação total da Social Responsiveness Scale-2 (SRS-2). Os critérios secundários foram a Vineland-3, a Autism Behavior Checklist, a CARS, a SNAP-IV e uma escala de ansiedade dos pais. Os dados foram analisados com um modelo misto para medidas repetidas no início, na semana 4 e na semana 13. O seguimento durou 13 semanas.

Resultados:

No último seguimento, a pontuação total da SRS-2 desceu mais no grupo tratado do que no grupo placebo, com uma diferença de médias dos mínimos quadrados de −6,03 (IC 95% −11,93 a −0,14; p = 0,045). O efeito foi maior no domínio da cognição social, com −9,95 (IC 95% −15,90 a −4,00; p = 0,002).

Há duas ressalvas quanto à pontuação total. O intervalo de confiança fica muito perto de zero, e o cálculo da potência foi feito com um nível de significância unilateral. Dos dois resultados, o da cognição social é estatisticamente o mais sólido.

Segurança: Os acontecimentos adversos foram mais frequentes no grupo placebo do que no grupo tratado.

  • Grupo tratado: 5 crianças afetadas, 7 acontecimentos no total (10,3%). Quatro tiveram agitação passageira após a perfusão e uma teve febre baixa passageira.
  • Grupo placebo: 6 crianças afetadas, 9 acontecimentos no total (13,2%). Houve dois casos de agitação passageira, três de febre baixa passageira e uma infiltração ligeira no local da perfusão.

Nenhuma criança abandonou o estudo e a ocultação nunca foi quebrada. Os acontecimentos foram na maioria de grau 1 da CTCAE, ligeiros e reversíveis.

Conclusões:

Várias perfusões intravenosas de UCB-MNC alogénicas mostraram boa segurança a curto prazo e eficácia preliminar em aspetos específicos dos sintomas (a pontuação total da SRS-2 e a da cognição social) em crianças com autismo e desregulação imunitária. Os autores mantêm esta formulação ao longo de todo o artigo, e ela deve ser mantida quando o ensaio é citado.

Os autores indicam as seguintes limitações. A amostra era pequena e exploratória e pode não detetar efeitos pequenos a moderados. Apesar da ocultação, os resultados continuam a depender de escalas de avaliação subjetivas. O seguimento foi curto e não diz nada sobre a duração do efeito. Houve um único centro e um único esquema de dose. Não foi possível estratificar por deficiência intelectual, porque a maioria dos participantes tinha no início uma pontuação abaixo de 80 na escala de Wechsler, e apenas uma criança chegava a 105.

Informação de contexto:

Via de administração: Os autores escolheram a perfusão intravenosa e explicam com algum pormenor por que a preferem à via intratecal. Reconhecem que a injeção intratecal contorna a barreira hematoencefálica e atinge concentrações locais elevadas no sistema nervoso central. Por outro lado, é invasiva, é pouco aceite pelos pais em pediatria, exige bastante perícia técnica, demora mais e implica riscos de infeção do canal vertebral e de irritação meníngea. Numa população de crianças pequenas, com pouca tolerância a procedimentos invasivos, consideram esses riscos mais marcados. Notam também que nenhum estudo comparou diretamente a via intravenosa com a intratecal no autismo, pelo que a sua preferência é fundamentada mas não foi testada.

A via intravenosa também tem desvantagens. As células diluem-se na circulação, chegam mal ao tecido-alvo e atravessam mal a barreira hematoencefálica, que é o argumento habitual a favor da via intratecal.

Níveis elevados de IL-6, IL-17, TNF-α e IL-1β foram descritos repetidamente no autismo, e uma análise de 75 estudos de caso-controlo encontrou níveis significativamente aumentados de várias citocinas. Isto explica o critério de inclusão. O ensaio é o primeiro a usar esse perfil para decidir quem é tratado, enquanto os trabalhos anteriores só formularam a hipótese do mecanismo depois. Nenhum ensaio aleatorizado controlado anterior tinha usado UCB-MNC alogénicas como única intervenção.

Os autores contam sete ensaios clínicos anteriores com células mononucleares no autismo (dois com sangue do cordão, cinco com medula óssea) e quatro relatos de caso. Todos eram abertos. Vários relataram melhorias. Os autores defendem que os desenhos abertos e as expectativas dos cuidadores tornam essas melhorias pouco fiáveis, e o seu ensaio foi desenhado para corrigir essa fraqueza.

Este é o resumo de investigação independente publicada noutro local. Não é um relatório dos resultados dos tratamentos da Beike.

Consulta gratuita

Fale com um representante de pacientes

Sem compromisso. Resposta em 48 horas.

  • Resposta em 48 horas de um representante de pacientes.
  • Confidencial — os seus dados permanecem connosco.
  • Sem custo, sem compromisso. Analisamos o seu caso e respondemos.

Respondemos a pedidos de pacientes desde 2005. A avaliação médica é feita depois de recebermos o seu questionário médico preenchido.

Se o seu diagnóstico não estiver listado, selecione "outro".

Certificado internacionalmente

Em conformidade com os padrões globais de laboratório e produtos biológicos.