- Publicado em
- European Psychiatry (European Psychiatric Association congress abstract, Vol. 69 Suppl. 1, p. S534)
- Autores do estudo
- S. M. M. Fekrat, V. Sharma, S. Prasad, and S. Gunturu.
- Data do estudo
- Doenças
- Autismo
Principais pontos e resultados:
Ao contrário dos outros resumos desta secção, este baseia-se num resumo de congresso, porque não existe um artigo científico completo. O resumo foi publicado num suplemento da European Psychiatry (volume 69, suplemento 1, página S534), no âmbito do congresso da European Psychiatric Association. Não tem secção de métodos, gráfico de floresta, tabela dos estudos incluídos nem texto completo revisto por pares. O texto abaixo cobre apenas o que o resumo apresenta e não deve ser lido como a descrição de um artigo concluído. Incluímo-lo porque é a tentativa mais recente de agregar esta literatura, e porque a meta-análise anterior que vem substituir já é citada na nossa página sobre o autismo.
Objetivo:
Agregar os estudos clínicos de terapia com células estaminais em crianças com autismo e estimar um efeito global sobre os sintomas, bem como identificar os protocolos ideais e os critérios de seleção de doentes.
Métodos (segundo o resumo):
Uma pesquisa orientada pelo PRISMA na PubMed, na Scopus e na PsycINFO, a 17 de setembro de 2025, devolveu 1698 registos. Depois de retirados 399 duplicados, 1299 foram analisados pelo título, pelo resumo e pelo texto completo. Eram elegíveis ensaios aleatorizados controlados, ensaios clínicos controlados e estudos abertos. O diagnóstico tinha de assentar em critérios padronizados (DSM-5, ADOS ou ADI-R). As intervenções incluíam células estaminais mesenquimatosas, sangue do cordão umbilical e células estaminais neurais. Foram excluídos estudos pré-clínicos, relatos de caso e publicações noutras línguas que não o inglês. Dois revisores extraíram os dados de forma independente. Foram incluídos 22 estudos. Os instrumentos de avaliação usados incluíam a CARS, a ATEC, as escalas Vineland, a Aberrant Behavior Checklist e o PDDBI.
Resultados (segundo o resumo):
- No conjunto de todos os estudos incluídos, os sintomas melhoraram após o tratamento com células estaminais, com uma diferença de médias padronizada (DMP) de −1,03 (IC 95% −1,23 a −0,83; Z = 10,03; p < 0,00001).
- A heterogeneidade deste valor foi de I² = 95%.
- No subconjunto de estudos com comparação com placebo, o efeito foi maior e não houve heterogeneidade, com uma DMP de −4,99 (IC 95% −8,11 a −1,88; Z = 3,14; p = 0,002; I² = 0%).
Conclusões:
Os autores afirmam que a literatura existente demonstra a eficácia da terapia com células estaminais no autismo, e pedem mais ensaios em contextos geográficos variados e em populações minoritárias.
Esta conclusão tem de ser pesada face ao valor da heterogeneidade. Um I² de 95% significa que quase toda a variação entre os estudos agregados se deve a diferenças reais entre eles (no desenho, na população, no tipo de células, na dose e na via) e muito pouco ao acaso. Uma estimativa agregada de estudos tão diferentes indica a direção de um efeito. Não pode ser citada como a dimensão de um efeito do tratamento. O subconjunto controlado por placebo não mostra heterogeneidade, mas é uma pequena parte de uma base de evidência que as revisões abrangentes descrevem como esmagadoramente aberta.
Informação de contexto:
A meta-análise anterior nesta área (Qu e colegas, 2022, também resumida nesta secção) agregou cinco estudos e chegou a uma conclusão semelhante, assinalando amostras pequenas, ausência de via ou dose padronizadas e seguimento curto. Quatro anos depois, com mais dezassete estudos, a direção do resultado mantém-se e a maioria das ressalvas continua a aplicar-se.
Um tamanho de efeito agregado nesta área é uma média de estudos que usaram células diferentes, em doses diferentes, por vias diferentes, em países diferentes e, na maioria, sem ocultação. O valor resumido deve por isso ser tratado com cautela, e essa cautela deve ser referida sempre que o número é citado. Nada disto é razão para pôr o trabalho de parte.
Este é o resumo de investigação independente publicada noutro local. Não é um relatório dos resultados dos tratamentos da Beike.